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Agremiações de frevo publicam carta aberta contra "paredões" de som em Olinda

  • 11 de fev.
  • 4 min de leitura

Nos últimos anos, tem gerado preocupação às agremiações tradicionais de frevo, não pelo gênero que já está incorporado ao Carnaval de rua da Cidade Alta, mas pelo volume que os sistemas produzem, capaz de abafar orquestras inteiras

Da Folha de Pernamubuco


A presença de carros com paredões de som nas ladeiras de Olinda nos últimos anos tem gerado preocupação às agremiações tradicionais de frevo, não pelo gênero que já está incorporado ao Carnaval de rua da Cidade Alta, mas pelo volume que os sistemas produzem, capaz de abafar orquestras inteiras. "O frevo arrasta multidões nas ruas estreitas da cidade, nascido e criado com uma formação musical própria para execução acústica, sem a necessidade de amplificação mecânica. As orquestras desfilam há mais de um século em harmonia com os modos de vida do Sítio Histórico de Olinda", pontua a Associação das Agremiações de Frevo de Olinda.


"A crescente presença de baterias de samba com paredões de som de alta potência, além de descaracterizar o ambiente sonoro do Carnaval olindense, interfere diretamente no desfile das agremiações tradicionais. Atropela os pulmões acústicos dos músicos das orquestras, bloqueia cortejos históricos de forma inadvertida, ameaça o patrimônio material em razão da potência sonora e agride o mais aclamado patrimônio carnavalesco de Pernambuco: o frevo", aponta a nota.


"Na nossa terra, junto com o frevo, convivem amorosamente maracatus de baque virado, maracatus rurais, caboclinhos, papangus, caretas e tantas outras manifestações da cultura popular, inclusive o samba quando celebrado harmonicamente com nossas tradições", completa a nota.


O que os blocos e agremiações dizem


Segundo Hermes Neto, presidente da Pitombeira dos Quatro Cantos, muitas vezes não é possível competir com os sistemas de som durante os desfiles. "A gente trabalha o ano todinho para quando chegar na rua chegar um paredão desse, e ficar maior do que as orquestras. Então, a gente às vezes não consegue nem tocar, para ele poder passar. Nossa reivindicação foi isso, que não precisava um som aqui desse paredão, desse tamanho para poder atuar", explica.Segundo Hermes, a crítica não é direcionada ao gênero, mas um apelo para a boa convivência no Carnaval de Olinda, conhecido por ser democrático e abrigar e congregar a diversidade. Eles podem botar um som menor e continuar na Cidade de Alta tranquilamente. Carnaval é multicultural para todo mundo. O tipo de som não incomoda nem a gente, nem os próprios moradores que vivem aqui", ressalta.


Também procurado pela reportagem da Folha de Pernambuco, Bruno Firmino, integrante da diretoria do Clube Carnavalesco Misto Elefante de Olinda, falou sobre a questão.


"Eu acho que a primeira questão é que não se trata de ser contra o samba ou outro gênero. Nosso Carnaval tem características específicas e estamos numa área de sítio histórico tombado, o que traz a necessidade de um olhar mais atento, que é contemplado na Lei do Carnaval, que trata da proibição de som mecânico nas ladeiras, independente do gênero musical", introduz Firmino.


"Então esse é o cerne na discussão: uso do som mecânico, que, pra piorar, é emitido numa altura que compromete as outras manifestações e o casario. A convivência harmônica tem que partir do princípio de respeito ao patrimônio e a uma legislação existente, que garante que as manifestações possam acontecer sem prejuízos ao próximo", concluiu.


Posicionamento dos grupos de sambaDeco Patusco, da Bateria Patusco e presidente da Associação Carnavalesca de Samba de Olinda, (ACASO), informou que houve, nesta terça (10), uma conversa entre as associações para tratar do tema. "O assunto discutido por bastante tempo, mas hoje foi necessário ter essa reunião porque está levando um lado que não é bom pra ninguém, criar essa rivalidade desnecessária e até às vezes perigosa", ponderou Deco Patusco.

"Até porque têm grupos de samba que vêm recebendo ameaças e tudo, de que vai quebrar carro de som, que vão fazer isso, que vão fazer aquilo", relatou. Ele informou que a ACASO vai lançar, em breve, uma nota conjunta com a entidade das agremiações de frevo.


"Em relação ao carro de som também é outro assunto. Carro de som sempre existiu em Olinda. Afoxé sempre saiu com carro de som, o pessoal do coco também sempre saiu com carro de som e o próprio Patusco sempre saiu com carro de som. Agora, realmente cresceu o número, mas a gente já fez até um projeto de regulamentação e padronização do som para que não fique um negócio exagerado", completou. "Tem também outra opção de se desfilar em outro lado da cidade, enfim, coisas que vão ser discutidas após o Carnaval. Mas agora não tem muito o que fazer. O Carnaval está pronto e temos que botar o bloco na rua. Mas, depois, vamos definir isso de uma vez por todas para evitar toda essa polêmica que está se criando", comentou Deco Patusco. 


Na rede social, mestre Múcio, da Bateria Cabulosa, também se posicionou sobre a polêmica e, inicialmente, em vídeo, falou que o Carnaval de 2026 seria o último ano em que desfilariam no Sítio Histórico de Olinda, e que, em 2027, o grupo de apresentaria na parte baixa da cidade, onde a prefeitura definisse.Entretanto, em nova nota oficial e vídeo publicados no começo da noite desta terça-feira (10), no perfil de Instagram da Cabulosa, mestre Múcio comunicou a nova resolução do grupo: de que já no Carnaval de 2026, o percurso da Cabulosa será na parte baixa da cidade de Olinda, na Avenida Sigismundo Gonçalves, em frente ao Colégio São Bento, com concentração na Praça do Jacaré.


"Essa decisão reflete o nosso compromisso com o respeito, com a cultura e com a valorização do Carnaval em todas as suas expressões. Por isso, contamos com a presença, o apoio e a participação de todos os seguidores da Bateria Cabulosa para, juntos, abrilhantarmos o Carnaval de Olinda em 2026", diz um trecho da nota, informando a nova localização do grupo.  



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