"Arretado": espécie inédita de besouro é descoberta na Caatinga nordestina
- mais jaboatao
- 8 de set. de 2025
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O Athyreus arretado pertence à família Geotrupidae, grupo popularmente conhecido como "besouros escavadores". O achado científico foi publicado na revista científica Zootaxa

Da Folha de Pernambuco
Arretado, expressão típica do Nordeste que significa algo muito bom, excelente ou impressionante, agora nomeia um pequeno habitante da Caatinga nordestina: um besouro de pouco mais de 2 centímetros de uma espécie inédita. A descoberta foi feita por pesquisadores do Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna) da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). O Athyreus arretado pertence à família Geotrupidae, grupo popularmente conhecido como "besouros escavadores". O achado científico foi publicado na revista científica Zootaxa.
O "arretado", aliás, não poderia ser mais adequado para nomear o bicho. O besouro se diferencia, segundo os pesquisadores, por características marcantes na morfologia, como o chifre localizado na parte frontal da "placa" que cobre a parte superior do tórax, o pronoto. O bicho também tem carenas, estruturas em formas de cristas, que desenham em seu corpo um padrão que se assemelha à letra J. O besouro tem coloração marrom-avermelhada no dorso e tonalidade alaranjada na parte inferior.
Os besouros foram observados após serem atraídos pela luz de lanternas. Eles voavam próximo ao solo, a apenas 60 centímetros de altura, na Ecorregião das Dunas do São Francisco, no município de Casa Nova, na Bahia, distante cerca de 65 quilômetros de Petrolina, no Sertão de Pernambuco.
A área onde os insetos foram encontrados fica em paleodunas, antigas dunas de areia hoje cobertas por vegetação da Caatinga, sendo considerada prioritária para conservação da fauna e flora. Segundo os pesquisadores, justamente pela alta ocorrência de espécies endêmicas, que só existe ali.
O estudo ainda mostra que este é o primeiro besouro da família Geotrupidae descrito para a região e apenas o segundo registro de uma nova espécie de Coleoptera (a ordem dos besouros) nas dunas do Submédio São Francisco. O pesquisador Gabriel Luiz Celante, que assina a descrição da nova espécie, disse ao site da Univasf que a descoberta é uma prova do quanto a Caatinga ainda tem a revelar.
"A descoberta do Athyreus arretado mostra o quanto ainda temos a conhecer sobre a biodiversidade da Caatinga. Esse besouro foi encontrado em uma região pouco estudada e isso reforça que o bioma guarda espécies únicas que precisam ser registradas e preservadas. Nosso trabalho não é apenas dar nome a um ser vivo até então desconhecido pela ciência , mas também chamar atenção para a importância da conservação desse ecossistema que é exclusivamente brasileiro", destaca.
A pesquisa é assinada por Gabriel Luiz Celante, Adhan Gabriel Carvalho e o professor Dr. Benoit Jean Bernard Jahyny, do Laboratório de Mirmecologia da Univasf, e por Kaylla Brisley Silva Araújo e Paula Batista dos Santos, do Museu de Fauna da Caatinga/Univasf.








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