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Estudante pernambucana é 1ª brasileira a vencer concurso internacional de redação sobre a paz

  • 22 de mar.
  • 4 min de leitura

A adolescente, que possui deficiência visual, foi selecionada entre participantes de diversos países, consolidando-se como símbolo de inclusão, superação e excelência educacional


Da Folha de Pernambuco


A estudante Adriane Mirelly da Silva, de 13 anos, da rede municipal de ensino de Palmares, na Mata Sul de Pernambuco, é a primeira brasileira a vencer o Concurso Internacional de Redação sobre a Paz, promovido pelo Lions Internacional. A adolescente, que possui deficiência visual, foi selecionada entre participantes de diversos países, consolidando-se como símbolo de inclusão, superação e excelência educacional.


Sua redação abordou temas como empatia, respeito às diferenças e a construção da paz a partir das relações humanas. “Aprendi que não se enxerga com os olhos. A gente também enxerga com o coração. A paz começa quando respeitamos as diferenças e olhamos para o outro com amor”, destacou Adriane.


Nações Unidas


O anúncio oficial da conquista ocorreu no dia 19 de março de 2026, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, durante uma sessão solene do Lions Day, com repercussão internacional.


Como reconhecimento, Adriane receberá um prêmio de US$ 5 mil, além de viagem internacional com despesas custeadas para participar da Convenção Internacional do Lions, em julho deste ano, em Hong Kong, onde será oficialmente homenageada.


Para o Lions Clube de Palmares, a conquista representa um marco histórico não apenas para o município, mas para todo o Brasil.


“Estamos diante de um momento histórico. Adriane é a primeira brasileira a alcançar esse reconhecimento internacional e mostra ao mundo a força da educação pública e da cultura de paz construída desde a base”, destacou Tiago Lima, representante do Lions Clube Palmares.


Conquista

A conquista também foi celebrada pelas autoridades municipais. O prefeito Junior de Beto ressaltou o papel da educação como ferramenta de transformação social e valorização de talentos. Já a secretária municipal de Educação, Elizângela Neves, destacou o esforço coletivo da rede de ensino e o protagonismo da estudante.


"A história de Adriane reúne elementos de grande relevância social e educacional, conectando Pernambuco a um cenário global por meio de uma narrativa de superação, inclusão e promoção da paz", enfatizou Elizângela Neves.


Adriane Mirelly, 13 anos, com representantes do Lions Regional - Pernambuco, Sergipe e Alagoas, no Lions Clube Palmares


Veja a íntegra da carta vencedora:


Juntos Somos Um: A Verdade Sem Aparências


"A maioria das pessoas aprende sobre o mundo através da luz e da cor. Elas veem as fronteiras, as diferenças na tonalidade da pele, as linhas que separam o “eu” do “outro”. Eu também vejo a luz, mas elame chega de forma suave, sem a nitidez que cria filtros e categorias. Nasci com baixa visão, e isso me ensinou que a paz não começa na vista, mas na cegueira voluntária do julgamento.


O tema “Juntos Somos Um” exige que a gente olhe para dentro. A desarmonia do mundo, as guerras e a exclusão não são acidentes. São o resultado de um erro de cálculo visual. A sociedade é ensinada a

valorizar o que é grande, alto, bonito ou igual ao que está no espelho. E tudo o que não se encaixa nessa imagem é, muitas vezes, rejeitado, temido ou silenciado.


Para mim, as pessoas são reveladas por algo mais íntimo. Elas são a vibração do seu passo na calçada, a mudança na respiração antes de uma pergunta, a qualidade do silêncio que compartilham. A cor da pele pode ser um borrão, mas a cor da alma - revelada pela forma como tratam quem é vulnerável ou pela maneira como usam suas palavras - é perfeitamente clara. A minha experiência mostra que a única coisa que realmente separa as pessoas é a distância entre a mente e o coração.


Neste universo, somos todos feitos do mesmo material cósmico. O átomo que compõe a minha mão é o mesmo que forma a montanha e o mesmo que reside no coração de alguém que vive do outro lado do planeta. Somos a mesma composição, mas nos vestimos com embalagens diferentes. Quando nos apegamos à embalagem - ao que é visível e superficial - quebramos a unidade.


Ser “um” não significa que temos que concordar com tudo ou que precisamos apagar nossas identidades. Pelo contrário. A verdadeira unidade é um ato de aceitação radical. Significa que eu valorizo a sua diferença porque ela completa a minha visão imperfeita do mundo. Significa que a sua alegria é, de alguma forma, a minha alegria, e que a sua dor é uma rachadura na fundação da minha própria segurança.


Se pudéssemos, por um instante, fechar os olhos de forma coletiva, não veríamos quem tem mais ou menos, quem é forte ou fraco, quem é daqui ou de lá. Sentiríamos apenas a urgência compartilhada de viver, de amar e de proteger a nossa única casa. Sentiríamos o fio invisível que não precisa de luz para ser percebido.


A paz não é um destino distante, mas a revelação da nossa unidade. É o momento em que a humanidade finalmente reconhece a verdade sem as aparências: somos mais do que a soma das nossas partes visíveis. Somos um único corpo pulsando juntos no escuro, ansiosos pela luz, mas já conectados pela nossa essência mais profunda. E essa é a verdade que eu aprendi a ver, sem a necessidade dos meus olhos."

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