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Temer afirma que escola de samba que homenageou Lula trocou crítica social por "bajulação"

  • 18 de fev.
  • 2 min de leitura

Ele também não gostou da forma como foi retratado. A escola levou à Marquês de Sapucaí um carro alegórico em que um integrante aparece caracterizado como o ex-presidente e "arranca" a faixa presidencial de Dilma Rousseff e a coloca em si mesmo


Da Folha de Pernambuco


O ex-presidente Michel Temer ( MDB) divulgou nota nesta segunda-feira em que critica a escola de samba Acadêmicos de Niterói, que trouxe enredo homenageando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para Temer, a agremiação deixou de lado a crítica social e fez "bajulação na Sapucaí".


Temer também não gostou da forma como foi retratado. A escola, que foi a primeira a desfilar no Grupo Especial no Rio de Janeiro, na noite de domingo (15) levou à Marquês de Sapucaí um carro alegórico em que um integrante aparece caracterizado como o ex-presidente e "arranca" a faixa presidencial de Dilma Rousseff e a coloca em si mesmo. A ex-presidente foi alvo de impeachment pelo Congresso em 2016, e perdeu o mandato. Temer era seu vice na época e assumiu a presidência


Temer afirmou no texto que "como o samba é o espaço da criatividade e da fantasia, não faz sentido cobrar rigor histórico num enredo ou questionar a troca da crítica social pela bajulação na Sapucaí".


Ilusionismo na Esplanada

Mas disse que o problema é quando "adotam o ilusionismo na Esplanada, promovendo a irresponsabilidade fiscal, juros altos e o endividamento público crescente — e negando conquistas, como as reformas trabalhista, do ensino médio e da previdência. É triste ver a troca da ponte para o futuro por uma volta ao passado", alfinetou o ex-presidente, que promoveu essas reformas em seu mandato, que teve duração de 31 de agosto de 2016 a 31 de dezembro de 2018.


Leia também: Petistas seguem cartilha para evitar judicialização de desfile, mas oposição domina no digital e anuncia novas ações no TSE


Tanto o presidente Lula como outros integrantes do Partido dos Trabalhadores ( PT), entre eles o deputado federal Lindbergh Farias, já afirmaram que o ex-presidente Michel Temer participou de uma "articulação" com o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, para dar um golpe contra Dilma e tirá-la da presidência.


O desfile da Acadêmicos de Niterói também provocou reação da oposição. Nesta segunda-feira, o partido Novo e o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, anunciaram que vão acionar a Justiça Eleitoral para pedir a inelegibilidade do petista. A alegação é a de que o PT utilizou dinheiro público para fazer campanha antecipada durante o carnaval.


Na última quinta-feira, o plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, por unanimidade, dois pedidos para que o desfile da Acadêmicos de Niterói não ocorresse por configurar de propaganda eleitoral antecipada. Os ministros da Corte afirmaram que a proibição antes de o desfile ocorrer configuraria censura prévia, mas ressaltaram que poderá haver punição futura caso ocorram ilícitos eleitorais na avenida.


Especialistas ouvidos pelo GLOBO divergem sobre a ocorrência de ilicitude na Sapucaí na noite de domingo. O professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo, Fernando Neisser, avaliou que não houve qualquer ilegalidade eleitoral no desfile. Já o advogado eleitoral Guilherme Barcelos entende que a propaganda eleitoral antecipada “está configurada” no samba-enredo e o desfile foi como a “cereja do bolo”, cuja pena é de multa.

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