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Entrevista: ex-prefeito do Jaboatão, Elias Gomes, reforça união e estratégia da oposição

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    mais jaboatao
  • 21 de mai. de 2023
  • 7 min de leitura

Atualizado: 14 de set. de 2023


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Foto: Divulgação


O ex-prefeito do Jaboatão dos Guararapes, Elias Gomes, concedeu entrevista ao portal de notícias. A liderança, que já se colocou à disposição para disputar novamente o cargo no próximo ano, reforçou que orçou oposição precisa de união e de estratégia.

Com 48 anos de vida pública, Elias Gomes também foi prefeito do Cabo de Santo Agostinho, secretário de Justiça de Pernambuco e administrador de Fernando de Noronha.

Confira a entrevista na íntegra abaixo:

MJ - Como avalia o cenário político em Jaboatão dos Guararapes?

Elias Gomes - Em Jaboatão, vamos ter uma eleição bastante acirrada. Não existe eleição resolvida. Primeiro, essa eleição será de segundo turno. Quem teria o dever de ser forte, de fazer uma demonstração de força, é quem está no governo mas não reúne forças, popularidade e obra administrativa para ganhar uma eleição no primeiro turno mas a máquina, a vontade com que o prefeito está de disputar essas eleições, aliás, está em campanha 24 horas, certamente, o levará a ser um dos nomes que disputará o segundo turno.

No campo da oposição, há algumas cogitações mas não há definição do ponto de vista de nomes ou de estratégias. O meu papel, antes de qualquer coisa, aí me coloco nesse processo porque eu decidi participar ativamente, visando 2024. Não necessariamente colocando a minha candidatura como uma questão "sine qua non", aquela história: "tem que ser eu". Mas me coloco como alguém que, dada a minha experiência e força política que represento, eu me sinto no dever de dar minha contribuição.

MJ - Diante deste cenário, qual deve ser o trabalho da oposição?

Elias Gomes - Primeiro, colocando a necessidade da oposição ter uma estratégia. O que se vê hoje são ações pontuais, individuais, sem demérito de qualquer uma delas. Legítimas postulações naturais do processo mas isso não é bastante o suficiente para dar conta do desafio. Qual o desafio? O atual prefeito, que é candidato à reeleição, representa um conjunto de forças lideradas pela Família Ferreira. A família, por sua vez, representa em Pernambuco o bolsonarismo. Portanto, eles tem um projeto, tem uma articulação, tem o poder, como também tem o bônus e o ônus. O ônus de uma gestão medíocre feita pelos Ferreiras no município representou um retrocesso grande no desenvolvimento da cidade, nas políticas públicas, nos serviços prestados à população e, por conseguinte, uma baixa popularidade que é um desafio para essas forças. Eles, certamente, serão cobrados. O atual prefeito não será cobrado apenas pelos 12 meses que está à frente da Prefeitura. Será cobrado pelo período em que participou desde o primeiro momento da construção desse projeto. Participou como secretário, chefe de gabinete e vice-prefeito. Portanto, tem responsabilidade direta sobre a gestão ou às gestões do grupo dos Ferreira.

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MJ - Qual seria o seu posicionamento para o grupo da oposição para este ano?

Elias Gomes - O que tenho pregado e procurando defender é que a oposição converse, sem ninguém impor nada, sem nomes à mesa. Não precisa retirar nomes mas admitir que sozinho, nem eu e nenhum dos atores políticos do campo da oposição terá força suficiente para desbancar o bolsonarismo em Jaboatão. E isso exige, necessariamente, que a gente possa formular um conjunto de políticas de como dar o enfrentamento a essas forças.

E isso tenho feito pacientemente, sem pressa, conversado com todos esses atores políticos. Já conversei com uma boa parte deles. Não tenho divulgado até porque não vai ser através das mídias que a gente vai dar conta do nosso desafio e continuar buscando essas forças e conversando. Ao final, dessas conversas, a minha ideia é que a gente saia com um documento com diretrizes, com metas claramente definidas e ações que tenham que ser implementadas pelo conjunto da oposição. Temos esse ano e uma parte de 2024. E, lá pra diante, a gente vai definir se a melhor estratégia da oposição é unificar em torno de um nome, buscando uma polarização com o grupo que está no poder ou se a gente vai trabalhar com mais de um nome para fazer o debate e disputar as eleições. MJ - Como avalia a estratégia desse grupo (da oposição) para 2024? Elias Gomes - A estratégia que acho é a oposição ter uma ação unificada. A tática é analisar se a gente vai estar em um ou mais palanques nessa disputa mas falando discursos que possam se comunicar entre si. O que não pode é um apontar para o norte e o outro para o sul e não ter nada que nos unifique. Essa é uma estratégia fundamental e o resto é caminhar. Repito, não é impondo candidatura. Não tenho essa sede de ser candidato a qualquer custo. Vou naturalmente me colocar nesse processo mas, sobretudo, com clareza do tamanho do desafio que temos pela frente. MJ - Como avalia mais de um ano de gestão do prefeito Mano Medeiros? Elias Gomes - Acho que mudou alguma coisa na forma. Enquanto o ex-prefeito (Anderson Ferreira) era muito ausente, dada a sua petulância e arrogância. Usou bastante a Prefeitura para o seu projeto eleitoral de ser candidato a governador. O atual prefeito se dispôs a estar mais próximo da cidade mas isso não é o essencial, o fundamental. No conteúdo, esse governo é a repetição dos Ferreiras. Você pode ver o secretariado, é praticamente o mesmo. As políticas públicas não mudaram e Mano trouxe o quê de melhor e de mudança para a saúde?

Os bairros mais pobres, deixados de lado pela gestão Ferreira estão abandonados. Esse governo esqueceu que tinha periferia, Um governo de fazer a maquiagem. As questões essenciais, não tratou e isso não mudou nada na gestão do atual prefeito. Na comunidade, não há um plano do município para melhoria da situação da qualidade de vida da população que mora nas áreas periféricas da cidade. Nós deixamos um convênio com o Ministério das Cidades. Não foram gastos na gestão dos Ferreira e, durante esse ano, na gestão de Luiz Medeiros. Se for na questão de fazer uma radiografia, da essência, essa atual gestão não difere no conteúdo dos que estiveram aí, do seu antecessor, aliado e padrinho Anderson Ferreira.

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MJ - E a área da educação?

Elias Gomes - O que tem sido feito para reverter o quadro de queda da qualidade do ensino no município? Quando digo queda porque é bom rememorar quando deixamos o município em primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação (Idebe), avaliado através de prova. O prefeito que nos sucedeu, comemorou isso como se fosse um feito seu e o resultado é que a gestão Ferreira e Medeiros é a mesma coisa. E está levando o município a perder esse protagonismo. E, hoje, a cidade está na terceira colocação no idebe. Nesse ritmo, vai, na próxima mensuração, que é avaliado através de provas junto ao Ministério da Educação. Nós vamos cair e voltar para o lugar que estava, em 10º lugar. Jaboatão caminha perigosamente para uma queda na qualidade do ensino. MJ - O que falar das ações na área da cultura?

Já a cultura, as questões essenciais do município não mudaram. Os Ferreiras fizeram um governo anticultural, apoiado por Mano Medeiros que participou e compactuou. e Por fazer o Carnaval (Mano Medeiros), que é uma evento, e está falando que como se a cultura da cidade fosse resgatada. A cultura é um conjunto de políticas públicas. Nós deixamos um Plano Municipal de Cultura. E onde está a música, as artes cênicas, as diversas manifestações culturais? Desprezadas, esquecidas!

MJ - Como lida com a rejeição e qual a estratégia para se apresentar novamente à população diante de uma possível participação na eleição de 2024?

Elias Gomes - Uma candidatura não pode ser um projeto pessoal. Não quero. Não tenho esse interesse de, se eventualmente vir disputar a Prefeitura, ser candidato de mim mesmo. Só terá sentido uma candidatura se for de um conjunto robusto, de forças políticas e sociais bem fundamentadas. Um projeto bem formulado, de governo com compromissos claros, de reverter o desmonte que a cidade está vivendo e de apontar para políticas pujantes de melhoria das condições de habitabilidade da cidade. E, também, melhoria das condições de vida da cidade.

Então, não me vejo em uma disputa, colocando apenas o meu CPF. Precisamos de ter um CNJP, um conjunto de forças. Não tenho vaidade. Não preciso ser candidato de qualquer jeito. Eu abri mão de uma candidatura na eleição passada para prefeito do Cabo de Santo Agostinho quando estava empatado com o vencedor e, diferentemente do que me cobram, não estou colocando o meu nome como primeira questão nesse debate.

A primeira questão que tenho colocado é uma estratégia e um plano comum da oposição. Se é um plano comum, vamos! E, se vir a ser esse nome, iremos de forma articulada e integrada, de voz comum. Fazer a defesa do nosso projeto visando não apenas olhando o passado, que é e uma referência importante, mas um olhar voltado para o futuro.


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MJ - O que Jaboatão pode esperar de Elias Gomes?

Elias Gomes - Tenho responsabilidade com a cidade. Sou cidadão e eleitor de Jaboatão. Uma cidade que me adotou, cidade pela qual tenho muita gratidão e tenho uma parte de mim. Tenho minha vida vinculada com Jaboatão e, naturalmente, me sinto que tenho responsabilidade em participar da vida da cidade e discutir o seu futuro . Não vou faltar com essa cidade. Vou estar presente, preocupado com as questões que me afligem e como um ser político. E um político que pensa que não vejo a política de forma senão um instrumento de transformação, de fortalecimento da cidadania. Eu vou, estou pensando a cidade e vou procurar juntar as forças democráticas, políticas e sociais que estão comprometidas com o futuro da cidade no sentido de construir um caminho junto.

É isso que estou fazendo de forma serena, tranquila, sem precipitação, sem colocar o ego e a vaidade em primeiro plano que é muito comum na atividade humana e vou perseguir esse caminho. Ao final, quando tivermos uma estratégia comum da oposição, um plano de diretrizes para responder os desafios presentes visando dar um futuro melhor para cidade, eu já terei dado a minha contribuição e isso vai se acentuar nas eleição do próximo ano em que quero estar presente. Participar seja em qualquer papel, como candidato, como ator protagonista ou coadjuvante. Estarei estarei dando a minha colaboração.

Nós estaremos sempre na trincheira de luta. E estou atento, observando e sendo cauteloso nas minhas intervenções. Para mim, não adianta somente estar falando, mas precisamos ter discursos e práticas consistentes. E a minha tarefa, estou buscando cumprir, fazendo articulação necessária, colaborando na arquitetura necessária para o fortalecimento da oposição, da cidadania e de um projeto alternativo ao que aí está.

Esse projeto alternativo vai desde a questão das políticas públicas até a questão da sustentabilidade, do desenvolvimento econômico, do turismo, do meio ambiente, que são pautas bastante contemporâneas. Não vamos tratar mais do mesmo. É evidente que precisamos de agregar questões e conteúdos novos para fazer frente ao desafio presente nesta grande cidade.

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